O de sempre
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Terça-feira, Novembro 07, 2006
Se a noite for longa, terei menos tempo para dormir, uma vez que meu horário para acordar é fixo. Se tiver menos tempo para dormir, terei sono mais cedo no outro dia. Se tiver sono mais cedo, dormirei mais cedo. Se dormir cedo, a noite será curta. Se a noite for curta, o sono será longo. O sono sendo longo, dormirei mais. Dormindo mais, vivo menos tempo consciente. Vivendo menos consciente, estou vivendo menos, se partir do princípio básico de que morrer é perder a consciência, enquanto viver é ter consciência, por mais básica que seja: quem sou, onde vivo, o que faço, onde fica o banheiro, se mastigo de boca aberta ou fechada etc. Resumindo, se a noite for longa, dormirei menos -- em compensação, terei mais tempo consciente. Viverei mais.
posted by chapeiro 8:59 PM
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Segunda-feira, Novembro 06, 2006
Sabe aquela piada que começa bem, vai se desenvolvento e, quando todos estão atentos, esperando pelo desfecho, o narrador esquece o final? Assim é este blog. Começou como alguma coisinha metida a besta e se perdeu no meio do caminho. Culpa do autor, sem dúvida, que tenta escrever dando voltas e acaba fazendo apenas isso: dando voltas, sem chegar a lugar algum. Porque as coisas são pouco simples para ele. Mas ele só consegue escrever de maneira simplista. É meio estranho isso, mas é real. Vive cheio de dúvidas o tempo todo, inseguro. Caminha o tempo todo como se estivesse pisando em ovos, e como se cada ovo quebrado fosse uma grande tragédia -- vive como se a vida realmente fosse algo assim, tão sério. Mas sabemos que não é. Ele sabe que não é. Mas não consegue acreditar. Às vezes o funcionamento de algo é tão simples, que ele não aceita; nada pode ser simples, fácil, correr tranquilamente. Tem sempre de haver drama, barreiras, luta. Começou a ler um livro meio auto-ajuda, coisa que detesta, talvez por preconceito, e achou que havia algo ali, uma bóia. O que é uma bóia? Pare e pense: uma bóia é um objeto estúpido cuja única função é flutuar. Mas para quem está afundando, uma bóia vale toda a riqueza do mundo. Não se trata de engrandecer a bóia, mas de aceitar seu valor em determinado momento. E o livro não era bem auto-ajuda. Era um tipo de ABC financeiro que ensina alguém a ficar rico. Ok, admito, é auto-ajuda. Sem desculpas. Sem piedade. Foi a isso que recorreu. Não, recorreu não seria o termo correto. Na verdade o livro repousava na mesa da sala e ele resolveu folhear. Em sua solidão, acabou lendo por mais tempo do que leria de costume. Isso é quase uma confissão. Mas não há padre do outro lado, o que alivia um pouco as coisas. Não há ouvido, olhos. É uma quase confissão no vazio. Um pensamento solitário.
posted by chapeiro 10:31 AM